[Resenha] Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas (Corte de Espinhos e Rosas #01)

16:00

Sarah J. Maas

Páginas: 434
Editora: Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert Medeiros


          Em Corte de Espinhos e Rosas, um misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance.

          Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. 

          Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.



          Você já realizou a leitura de uma obra da qual você não sabia nada mais que o título do livro e o nome da autora? Uma leitura que foi basicamente um tiro no escuro? Assim foi minha leitura de Corte de Espinhos e Rosas e, queridos leitores, sinto-me mais que satisfeita em lhes afirmar que meu tiro acertou o alvo com perfeição.


          Antes do lançamento de Corte de Espinhos e Rosas no Brasil, alguns sites apontaram o livro como uma mistura de Game of Thrones e A Bela e a Fera. E logo no inicio da obra o leitor já pode sentir essa semelhança contada através da personagem principal, Feyre. Feyre possui duas irmãs mimadas, mais velhas que ela, e um pai doente que nunca se recuperou da morte de sua esposa. A família possuía uma fortuna em joias e ouro, mas após o naufrágio de três navios que carregavam toda essa fortuna todos ficaram em condições financeiras precárias, tendo que abandonar a mansão em que moravam e viver em um pequeno casebre num vilarejo pobre.
          Com o pai doente e as irmãs que não faziam nada para ajudar no sustento da família Feyre se tornou uma caçadora, aprendendo tudo sobre a floresta e sobre os Feéricos, os seres que habitam além da muralha. As lendas dizem que os feéricos são uma raça superior e imortal, que escravizaram os humanos durante muitos séculos, nas eras passadas usavam a raça humana para construírem seu templos. E durante todas aquelas eras as bestas sem coração infligiram as mais inimagináveis atrocidades a raça menor, e prosperaram graças a ela. Mas depois de uma antiga guerra que dizimou boa parte das duas populações, mas que também garantiu a liberdade dos humanos, ambas as raças viviam separadas.
          Porém, quando Feyre mata um lobo gigante na floresta, que ao desenrolar da história descobrimos ser um ser de magia, acaba quebrando uma das regras do tratado entre os humanos e os feéricos, um tratado do qual ela não tinha conhecimento. Feyre tem então, durante uma noite, sua casa invadida por uma besta feérica, descrita com um corpo de urso, cabeça de leão e chifres no alto de seu crânio, que dá a ela duas opções: morrer ali mesmo na cabana ou acompanhá-lo até Prythian, o reino Feérico. Feyre então decide acompanhar o monstro, já elaborando um jeito de fugir e voltar para cuidar de sua família,
          Mas ao atravessar a muralha que separa os dois mundos e chegar ao palácio de Tamlin (o monstro) Feyre vê todas as lendas que lhe contaram serem desmentidas uma a uma. Ela é bem recebida e alimentada, ficando até mesmo com os empregados da casa à sua disposição, e começa a viver ali como uma convidada, sendo tratada como tal até pelo próprio Tamlin. E mesmo sem ter total confiança do que a cerca, Feyre começa a ver que os Feéricos não são as bestas que as lendas contavam.
          No entanto, nem tudo parece ir bem naquele reino mágico. Uma praga vem se alastrando por toda Phythian, uma praga que destruiu parte da magia e controla os mais terríveis monstros e, se não controlada, poderá estender sua destruição por todos os territórios, incluindo o humano.


          Cheio de descrições de tirar o fôlego e com um universo rico em todos os sentidos Sarah J. Maas nos reapresentou uma estória que amamos, e com a qual crescemos, de uma forma espetacular e surpreendente. Deixando de lado a inocência do conto de A Bela e a Fera, Corte de Espinhos e Rosas é um livro que expressa, inicialmente, qual seria a "realidade" da estória de "Bela" e sua família, caso ela tivesse seguido o rumo que tomou, de uma forma não encantada. Trazendo a tona uma protagonista valente que ainda adolescente teve que aprender a caçar e a realizar diversas outras atividades manuais para alimentar sua família e não deixar que os Archeron morressem de fome ou frio. Sendo negligência até mesmo na educação. Essa crua realidade comparada com a força da personagem cria uma vinculo personagem-leitor que se torna ainda mais forte ao longo da narrativa.
          A narrativa e o desenrolar dos fatos flui de uma maneira que nos prende as páginas, Mass teve todo o cuidado de guardar os segredos mais interessantes do livro para o final sem que o leitor enjoe da espera. Personagens secundários bem trabalhados também não faltaram. Nomes como Lucien, Tamlin e Rhysand, além de Amarantha, foram fundamentais para o enredo. Com personalidades bem exploradas, e um mistério cercando a história e os conflitos por trás de cada um deles, é impossível não querer desvendar sempre um pouco mais.
          O Reino Feérico faz todos os leitores babarem um pouquinho (tá bom, um monte) pela sua diversidade e beleza. A Corte Primaveril, cenário da maior parte deste livro, possui lugares maravilhosos descritos com uma grande riqueza de detalhes. E além desta Corte existem outras 6 que espero ansiosamente serem exploradas nos próximos 7 livros.

Sim, Sarah J. Mass confirmou de A Court of Throns and Roses será composta por 8 livros.

          E como não falar na escrita fluída, detalhista e viciante da autora? Essa leitora aqui nunca havia tido contato com outros livros de Sarah, mas para uma primeira experiência essa foi realmente espetacular. Assim que terminei a leitora de ACOTAR (abreviação do título em inglês A Court of Thorns and Roses) corri imediatamente a procura de ACOMAF (A Court of Mist and Fury) e suas 658 páginas viraram 258 em minhas mãos. Foram surpresas atrás de surpresas e mal posso esperar para comentar algumas delas na resenha do segundo livro da série.
          Aproveitando do ponto de detalhismo da autora, os monstros foram um verdadeiro prato cheio para quem curte um pouco de terror no enredo. Dentre muitos citados, e bote muitos nisso, um que realmente me assustou e me fez colocar os pés para cima do sofá foi o Smock, um demônio que só pode ser ouvido, mas caso a pessoa responda seu chamado, dando a ele a consciência de que a pessoa sabe que ele está lá, ele se torna real e esmaga seus ossos.

          "Meu sangue congelou quando um frio arrepiante e penetrante passou. Eu não conseguia ver nada, apenas um vago brilho no canto da visão, e minha égua ficou imóvel sob mim. Forcei o rosto até ficar inexpressivo. Até mesmo os bosques cheirosos da primavera pareceram se encolher, murchar e congelar. A coisa fria sussurrou, circundando. Eu não conseguia ver nada, mas conseguia sentir. E, bem no fundo da mente, uma voz antiga e oca sussurrou:

          - Vou triturar seus ossos entre minhas garras; vou beber sua medula; vou me banquetear com sua carne. Sou o que você teme; sou o que receia... Olhe para mim. Olhe para mim."


          Em relação as lendas que contam sobre o povo Féerico a autora claramente usou como base as lendas do povo das fadas (ou povo celta), como por exemplo sobre como não é permitido comer ou beber alimentos feéricos, fazendo assim com que a pessoa fique presa no reino deles para sempre, ou que os feéricos roubam bebês humanos e os trocam por feéricos. Sendo citado até mesmo a versão mais antiga e "crua" dos Ritos de Beltane. E sim, se Maas já tinha ganhado pontos comigo por ter lido The Mists of Avalon ao citar um pouco dele em sua obra me conquistou mais ainda.


          E, meu amado leitor, se você veio ler essa resenha em busca de uma aprovação para começar a se aventurar no mundo de A Court of Thorns and Roses essa blogueira lhe dá um passe livre para a leitura, mas um aviso: não duvide da capacidade de Sarah J. Maas em mudar totalmente o rumo da estória em menos de 100 páginas. Boa leitura!

P.S: Foto do topo da resenha tirada pelo nossa blogueira P. Davino ♥.


Pontuação
Excelente e Favoritado



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