[Resenha] As Mil Noites - E. K. Johnston + Fotos da Malinha do Turista Literário de Setembro/2016

10:26


E. K. Johnston


Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Tradução: Viviane Diniz


          Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças… 
          Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.
          Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei...



          Lo-Melkhiin era uma rei justo e bom com o seu povo, mas... alguma coisa mudou. Desde que saiu para uma caçada no deserto ele não voltou o mesmo. Um demônio, tão antigo quanto o tempo e tão astuto quanto o próprio deserto, tomou posse do corpo do monarca, aprisionando a consciência do mesmo. Quando se casou pela primeira vez fez-se uma grande festa, mas ao amanhecer após a noite de núpcias a esposa estava morta. Isso repetiu-se diversas vezes,até o povo notar e começar a temer aquele que um dia fôra tão adorado.
          Não podendo impedir e temendo que todas as moças nobres da cidade fossem mortas os sacerdotes e céticos chegaram a um consenso: quando uma das esposas de Lo-Melkhiin fosse morta o mesmo não poderia desposar uma jovem da mesma tribo da anterior, tendo que buscar uma nova no próximo acampamento.
          É então que surge nossa protagonista, uma sombra de sua irmã. Ambas sempre dividiram suas vidas, dispostas até mesmo a casarem com maridos de uma mesma família para nunca terem de se separar. Mas quando Lo-Melkhiin chega até a tribo em que ambas vivem nossa protagonista sabe que sua irmã, sua bela e radiante irmã por quem todos se apaixonavam, seria a escolhida, sendo assim, condenada à morte. Mas para protegê-la ela pede que a mãe de sua irmã a vista como vestiria a própria filha. E ao encontrar-se com o rei, ele a escolhe por destacar-se entre todas as jovens.
          E enquanto cavalgava de encontro ao seu destino a futura Rainha fez uma promessa: ela iria viver.



          Parece que mais uma moda está chegando no mundo literário, e se essa pegar confesso a vocês que vou me esbaldar. Depois de nós, leitores, explorarmos centenas de mundos distópicos, alguns autores decidiram voltar vários séculos no passado e nos fazer viajar pelas mágicas areias do deserto! Diversos lançamentos como A Fúria e a Aurora e A Rebelde do Deserto já começaram a marcar a utilização das lendas e contos do antigo Oriente Médio para novos livros que prometem muita fantasia, riqueza de detalhes e, como não poderia faltar, mistério.
           No livro temos o título As Mil Noites claramente inspirado na coleção de contos do Oriente Médio intitulada As Mil e Uma Noites, aonde a Rainha Sherazade, durante mil e uma noites, contou histórias ao Rei Xariar, ganhando por meio das palavras a possibilidade de uma nova aurora. Mas neste caso fora o nome do livro e as mortes das noivas do Sultão não há mais nenhuma semelhança entre as duas obras.
          Trazendo no enredo no enredo magia e um pouco de suspenses é com certeza uma das versões mais fantasiosas, mas nem por isso uma das melhores, de As Mil e Uma Noites.
          Imagine ler um livro onde a personagem principal não tem nome. Ficou chocado com a possibilidade? Pois agora imagine que mais da metade das pessoas que leram As Mil Noites, incluindo esta blogueira aqui, não notaram este fato até estar na parte dos agradecimentos! Exatamente, Johnston teve a capacidade guiar todo um livro com no máximo cinco personagens com seus nomes revelados. E o que pode parecer algo confuso para você não passou de um detalhe completamente normal ao longo da estória.
          A capacidade de fazer o leitor sentir os personagens foi, de toda a leitura, o que mais me impressionou, por vezes pude sentir o amor pela irmã e medo da personagem principal, a fúria de sua família, a impotência e o desespero do rei aprisionado e a ambição do demônio, dentre outros muitos. A autora nos faz ter uma experiência emocional completa e marcante.
          O livro se alterna entre o ponto de vista de nossa protagonista e o "ser" no corpo do rei, nos fazendo viajar tanto pelos tempo presente da estória quanto nas eras antes da chegada dos homens. É uma exploração interessante abordar em primeira pessoa os dois lados de uma história, sentindo o que se passa na cabeça da personagem heróica e na da criatura mais enigmática e assustadora do livro. Houve até mesmo uma diferença na escrita para cada um, fazendo dessa viagem ainda mais intensa e instigante.
           Mas, como nem tudo são flores, com uma narrativa bastante diferente Johnston foi deixando descrições vagas sobre criaturas mitológicas em seu livro, o que antes eu pensava ser uma falha identifiquei ao final da leitura como um recurso narrativo para que o próprio leitor pudesse criá-los. Porém, mesmo entendendo essa ideia da autora, admito não ter apreciado esta escolha. Tenho uma grande admiração pelas ricas lendas e contos antigos dos países da península Arábica, e a falta de exploração de detalhes nesse quesito me decepcionou.
          O final foi outra parte que, apesar de ter sido satisfatório, poderia ter sido muito melhor explorada, achei a escrita corrida e pouco detalhada. Mas como há alguns leitores comentando sobre um segundo livro, que na minha opinião não é necessário, talvez mais detalhes fiquem para o próximo volume.
          A parte visual do livro é uma maravilha, a capa simples, mas em tons chamativos roubou minhas atenção antes mesmo do lançamento do livro. O interior também não decepciona com desenhos em arabescos na parte interna e a cada capítulo. Um obra de arte linda em sua chamativa simplicidade.
          Concluindo, mesmo não sendo o melhor nem o mais explorado do gênero, As Mil Noites carrega em si muito da cultura e tradições antigas ao mesmo tempo em que trás um fantasia original. Não é um livro de batalhas épicas e romances inesquecíveis, mas uma aventura leve como as areias carregadas pelo vento.


Pontuação
(Bom)




Malinha de Setembro 2016 (Turista Literário)



          Os leitores que também me acompanham no Instagram ficaram sabendo (em primeira mão) que ganhei a Malinha de Outubro da equipe do Turista Literário. E, mais do que surpresa por ter ganhado, fiquei encantada com o essa caixinha recheada de puro amor.
          Para quem não sabe o Turista Literário é uma caixa surpresa de livros YA (Jovem Adulto) por assinatura com itens criativos, criada com a missão de incentivar a leitura promovendo uma experiência sensorial única que leva o leitor para uma viagem pelo universo literário onde um livro é ambientado. Todo mês, a equipe do TL envia para os turista uma mala contendo um livro surpresa do gênero YA (Jovem Adulto), recém-lançado, e com itens especiais para estimular os sentidos e embarcar numa viagem inesquecível.
          Abaixo confira algumas fotos do inicio dessa viagem inesquecível pela Pérsia.










      

     


          Tem como não se apaixonar um monte por cada um dos detalhes?! Para sanar algumas dúvidas dentro da caixinha dourada há um punhado de sal grosso, que é citado no livro como uma mercadoria vital para a sobrevivência no deserto e tão valioso quanto o ouro. Dentro do pergaminho marrom, aquele amarrado com uma fita lilás, havia incensos maravilhosos, que além de perfumarem a caixa surpreendendo-me com o cheirinho dela assim que abri a malinha também me levaram diretamente para a Pérsia por meio do aroma, juro que se o Oriente Médio pudesse se definido em um aroma com toda certeza é aquele. E na garrafinha, que  foi a minha surpresinha favorita, há uma ilustração da personagem principal com o rei e a frase "Existe a vida...e existe viver".




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As tempestades a agitavam por dentro, despejavam a energia ao redor e a levavam com elas em um turbilhão de fúria e paixão.
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