[Resenha] As Batalhas do Castelo - Domingos Pellegrini

12:09

Domingos Pellegrini
Páginas: 123
Editora: Moderna

          Mais ou menos lá pelo meio da Idade Média”, um bobo da corte recebe de herança do rei um castelo abandonado – e também os doentes e aleijados do reino como súditos... Começa assim este romance de heróis estranhos (e na realidade tão comuns), lutando por uma vida melhor, com armas muito atuais: o trabalho, o companheirismo, a confiança, a criatividade, para vencer a fome e a peste. Depois, enfrentando o obscurantismo e a opressão, o Castelo resiste, e vence novamente através do perdão e da união, lições também muito atuais para o mundo de hoje.

          Quando um rei possui dois filhos e, ao morrer, entrega sua coroa para seu bobo da corte o que você imaginaria para o final dessa história? Foi isso a primeira coisa que eu pensei ao me deparar com o livro As Batalhas do Castelo, do autor brasileiro Domingos Pellegrini. A história, que se passa em meados da Idade Média, conta com um enredo bem atual e heróis nada convencionais.

          Já faz algum tempinho que fiz a leitura desse livro, mas não podia deixar de falar sobre uma história tão encantadora, que conquista os leitores pela sua simplicidade. A proposta para a leitura partiu da minha professora de literatura que distribuiu exemplares para os alunos para que fizessem a leitura durante o final de semana, como boa "enrolona" que sou acabei deixando tudo para última hora e passei o domingo inteiro mergulhada nas páginas de As Batalhas do Castelo... Não poderia ter sido uma experiência melhor. 
          O livro se inicia próximo a morte do Rei, este, mesmo tendo dois filhos, dá a seu bobo da corte o título de Duque da Santa Graça e, junto com o título, o direito a castelo e terras, artistas e serviçais, povo e animais, podendo ele mesmo formar sua corte. Mas os filhos do Rei, indignados por tal ato, decidem dar uma lição ao bobo.

          "O Duque ficará então com o Castelo do Canto, todos seus móveis e pertences, suas lavouras e animais.
          Os aplausos abafaram as risadas: era um castelo abandonado num canto do Reino, construído apenas para que o Rei pernoitasse em viagem aos reinos vizinhos. Não tinha móveis [...] e só mesmo as paredes pertenciam ao tal Castelo do Canto.
          - Também poderá o Duque cultivar todas as terras do ducado - o Príncipe Mais Novo sorriu abrindo os braços como para abraçar a imensidão.
          Mais aplausos e mais risadas: o Castelo do Canto ficava no alto de um rochedo; o ducado era apenas rocha e areia[...].
          - Além disso - o Príncipe mais velho apontou, e todos debruçaram nas sacadas e janelões paraver - terá o Duque uma tropa de animais e um povo escolhido a dedo.
          Lá embaixo na praça, soldados cercavam um rebanho de cavalos doentes, mulas magras e vacas velhas e um grupo de aleijados e cegos, velhos cansados e crianças órfãs ou doentes.
          - Isso ainda é nada. Para que o Duque tenha uma vida alegre o resto de seus dias, reservamos o que de melhor tem o reino nas artes e diversões.
         Apontou para um canto e todos riram de se dobrar: lá estavam três músicos surdos de tão velhos, um pintor um tanto cego, atores que entre vaias e ovos tinham perdido o gosto pelo palco, o brilho do olhar e a firmeza da voz."

          Apesar de ter sido deixado com a população do nível mais "inferior" daquele Reino o Bobuque, apelido pelo qual o bobo se denominou, mostrar não se abalar pela "lição" que os Príncipes tentaram lhe dar, muito pelo contrário, ele aceita a oferta com toda gratidão a marcha com seu povo para o Castelo do Canto. Várias aventuras e lições se faram presentes nessa trajetória em busca de um novo lar e de uma nova chance para viver.
          A história, se já não estiver óbvio, se passa em meio a Europa da Idade Média, no século XIV, e apesar dos costumes da época não terem sido os mais explorados os leitores tem a chance de ter contato eles. Alguns fatos históricos também são citados, como o surto de peste bubônica que se espalhou pela Europa e dizimou um terço de toda a população ficando conhecida como Peste Negra resenha também é História e no livro é possível ver como a população lidava com a doença e o poder que a igreja exercia.

          "[...] a realidade é que o poder da Igreja é tanto ou maior que o do Rei, e a piedade menor."

          A narrador aqui é observador o que permiti ao leitor acompanhar várias histórias de diferentes personagens. Como toda história medieval deve ter, vários laços amorosos são criados e você acaba torcendo por vários casais.
          Apesar de simples essa versão do livro apresenta diversas gravuras em cada capítulo, com pequenos spoilers da história.


          O final do livro deixa a história um pouco em aberto, o motivo disso apenas as pessoas que leram o livro vão entender, mas não deixa nem um pouco a desejar. É uma leitura rápida, divertida e cheia de lições com personagens cativantes que atraem pessoas de todas as idades.

Pontuação
(Muito bom)

Melhores Quotes


          "Mas tempo vai, tempo vem, virá o tempo em que a alegria será tão certa como um dia vem depois do outro."

          "E dançavam; cantavam, até que as crianças bocejavam engolindo a lua; e dormiam vendo a alegria brilhar naquela gente cor de terra, como se as maçãs do rosto fossem mesmo frutas."

          "[..] o que passou, passou; ninguém pode adivinhar o futuro e, assim, a Eternidade é hoje".

          " - Como descansar se o coração me assalta, senhor? - e ajoelhou:
          - Peço-vos a mão de vossa gentil Fruta.
          - Só a mão? Fique com a moça toda - se ela quiser."

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4 comentários

  1. Aventura é minha área favorita, não conhecia o título ainda, mas sinto que preciso ler, haha, continua escrevendo super bem flor, blog viciante *O*

    http://prisma-literario.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada querida, fico muito feliz que esteja gostando :D Eu realmente não esperava muita coisa desse livro, não sei porque, mas acabei me surpreendendo com a estória. Recomendo muito.
      Beijocas!!!

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  2. oi Leoana em que pagina, esta a frase: "mas tempo vai,tempo vem..."

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    1. Oi Tavinho.
      Na edição da editora Moderna está na pagina 24 e se encontra no segundo parágrafo, em itálico.

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